
Cadernos de apoio





















Metodologia
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Prof. Ms. Fernando Bruno Antonelli Molina Benitesâ
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O lançamento de Letramento literário: teoria e prática (2006), de Rildo Cosson, foi, sem dúvida, um grande marco para o ensino de literatura e para o trabalho com textos literários em sala de aula. Configurado como uma espécie de manual que enfatiza o processo de escolarização da literatura, o livro passa a sensação de ser uma conversa entre professores, trazendo exemplos de sequências didáticas elaboradas a partir de leituras propostas e o relato de sua aplicação. Ele traz também sugestões de oficinas que podem ser aproveitadas pelos leitores-professores, bem como uma profunda reflexão sobre a prática da disciplina literária, o valor social da literatura e a promoção da leitura na escola.
Cosson enfatiza que a leitura não pode ser simplesmente exigida como tarefa contendo uma avaliação ao seu fim; ela deve ser construída com base em mecanismos, que cabem à escola desenvolver, visando à proficiência da leitura literária. Dessa forma, são propostas as sequências didáticas, grande contribuição da obra que, embora não tenham sido seguidas à risca por mim, me inspiraram no delineamento das atividades com textos literários que proponho. Em suma, as etapas da sequência são: a motivação, que, geralmente de forma lúdica, promove o interesse do aluno pelo texto que será lido; a introdução, na qual são apresentados o autor e a obra; a leitura, etapa que deve ser cumprida com o que Cosson chama de “intervalos”, nos quais se afere o progresso e o entendimento do aluno; e a interpretação, dividida em dois momentos: interior, no qual há a decifração, o “encontro do leitor com a obra” (id., p. 65) e exterior, que é a “materialização da interpretação como ato de construção de sentido em uma determinada comunidade” (ibid., p. 65).
O professor destaca ainda que tal sequência – chamada “básica” – em algumas situações pode ser expandida, caso em que passará a carregar tal adjetivo em seu nome. Optando-se por esta forma de trabalhar, ter-se-á no momento de interpretação, além da compreensão global, o aprofundamento de um dos aspectos que seja pertinente aos propósitos do que está sendo ensinado. Logo após, há os momentos de expansão, focados na intertextualidade e levando em conta obras anteriores e posteriores ao texto em discussão, e a avaliação.
Compartilhando com Rildo Cosson a ideia de que a abordagem da literatura deve ser mais bem sistematizada, o contato com os textos literários mais efetivo, e dirigindo o olhar para a língua inglesa, resolvi elaborar os cadernos de apoio, que trazem os textos literários como foco de aulas de Inglês, buscando resgatar uma metodologia de ensino que vá além da repetição das estruturas comunicativas mais básicas ou da compreensão de textos de cunho informativo que não contemplam estilística, polissemia e aspectos culturais e históricos.
Dessa forma, padronizei os cadernos de apoio com as seguintes seções:
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- Engagement: what it is...: nesta primeira etapa, o professor apresenta o texto a ser trabalhado a partir de um elemento externo a ele, conforme proposto por Rildo Cosson, de uma maneira lúdica, visando a despertar o interesse dos alunos pela leitura e atividades posteriores.
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- Ladies and gentlemen…: apresentação do autor, do texto e de seu contexto histórico de produção.
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- Read it!: em sala de aula, é a leitura em voz alta feita pelo professor e acompanhada silenciosamente pelos alunos.
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- The student should pay attention to…: momento em que o professor destaca aspectos importantes do texto para a aula em questão, podendo ser um aspecto estilístico, linguístico, conceitual, etc.
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- The teacher must pay attention to...: após solicitar que os alunos realizem uma segunda leitura, o professor deve estimular, por meio de perguntas, uma compreensão mais aprofundada do texto, pedir que os alunos associem-no a seu contexto histórico de produção, dividam suas impressões e, por fim, destaquem algo que acreditem que o professor deva também destacar.
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- What about today?: Com base nas discussões ocorridas em sala de aula, destacar o que se pode aproveitar do texto na contemporaneidade, traços temáticos que ainda sejam atuais ou outras contribuições que possam ser pretendidas ou enxergadas pelo professor.
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- LANGUATURE (Language + literature): etapa que só deve ocorrer em caso de o texto ter sido usado para o ensino ou destaque de algum tópico gramatical, envolvendo explicações mais detalhadas e atividades para esse fim.
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- Text-web (Read, watch and listen): momento de intertextualidade – cuja intenção é apenas citar, e não esgotar as possibilidades - no qual são apresentados outros textos, filmes e músicas que influenciaram ou tenham recebido alguma forma de intervenção por parte do texto trabalhado.
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A literatura assume muitos saberes. [...]Se, por não sei que excesso de socialismo ou de barbárie, todas as nossas disciplinas devessem ser expulsas do ensino, exceto uma, é a disciplina literária que deveria ser salva, pois todas as ciências estão presentes no monumento literário. A literatura faz girar os saberes, não fixa, não fetichiza nenhum deles; ela lhes dá um lugar indireto, e esse indireto é precioso. Por um lado, ele permite designar saberes possíveis – insuspeitos, irrealizados: a literatura trabalha nos interstícios da ciência: está sempre atrasada ou adiantada com relação a esta [...] A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa. Por outro lado, o saber que ela mobiliza nunca é inteiro nem derradeiro; a literatura não diz que sabe alguma coisa, mas que sabe de alguma coisa; ou melhor: que ela sabe algo das coisas - Roland Barthes
